Programa atinge todas as regionais da cidade e pode beneficiar até 4,5 mil moradias com apoio federal e estadual
A Prefeitura de Fortaleza deu um passo concreto na política habitacional da capital cearense na última terça-feira, 16 de junho. O prefeito Evandro Leitão anunciou a segunda etapa do programa Morar Bem, com investimento de R$ 10 milhões destinados à reforma de 454 moradias em áreas vulneráveis. No mesmo evento, o gestor assinou o decreto que transforma o programa em instrumento permanente da política habitacional do município. A iniciativa integra a Política Habitacional de Interesse Social e visa garantir condições mínimas de dignidade para famílias de baixa renda que vivem em imóveis com sérios problemas estruturais. O anúncio foi realizado na nova sede da Secretaria do Desenvolvimento Habitacional, a Habitafor, no bairro Cajazeiras.
A primeira etapa já demonstrou resultados: no bairro Siqueira, 186 moradias precárias passaram por reformas antes mesmo do lançamento desta nova fase. Agora, com a expansão para todas as regionais de Fortaleza, o programa ganha escala e começa a responder a uma demanda histórica de comunidades que convivem com infiltrações, problemas elétricos e falta de saneamento básico dentro de casa. A questão que fica no ar para muitos moradores é: quem pode participar e como solicitar as melhorias?
O que o Morar Bem oferece e quais são os critérios de participação
As intervenções previstas no programa vão muito além de pequenos reparos. O programa contempla melhorias estruturais, elétricas, hidráulicas e de acessibilidade, o que representa uma transformação significativa para famílias que vivem em imóveis com décadas de abandono. As obras incluem construção e reforma de banheiros, revisão das instalações hidráulicas e elétricas, eliminação de infiltrações e mofo, recuperação estrutural dos imóveis, ampliação de cômodos e adaptações de acessibilidade. Portalceara
Para participar, as famílias precisam atender a critérios específicos estabelecidos pela Habitafor. Segundo informações da Prefeitura de Fortaleza, é necessário possuir renda mensal de até três salários mínimos, residir no imóvel há mais de quatro anos, ter apenas uma propriedade e morar em residência localizada no pavimento térreo. As solicitações podem ser feitas diretamente nas Secretarias Regionais do município, onde equipes técnicas realizam a análise de cada caso. A prioridade recai sobre os imóveis com maior grau de precariedade e risco para os moradores.
A capilaridade do programa é um dos seus pontos mais relevantes. Ao prever ações em todas as oito regionais de Fortaleza, a gestão municipal rompe com a lógica de concentrar benefícios em determinados bairros e avança para áreas que historicamente ficam à margem das políticas urbanas. Comunidades como Pirambu, Serviluz e Moura Brasil estão entre as que mais demandam esse tipo de intervenção, segundo dados da própria Secretaria Municipal de Habitação.
Parcerias ampliam o alcance e podem chegar a 4,5 mil moradias
O esforço municipal não está isolado. Parcerias com os governos federal e estadual devem ampliar o alcance do programa para cerca de 4,5 mil moradias. Esse número representa um salto expressivo em relação às 454 unidades previstas na etapa municipal financiada pelos R$ 10 milhões anunciados, e revela o potencial do programa quando os três entes federativos trabalham em conjunto. Portalceara
No âmbito dos residenciais populares, Fortaleza já tem obras em andamento por meio do Minha Casa, Minha Vida. Em março deste ano, o prefeito Evandro Leitão assinou contratos para a construção de quatro novos conjuntos habitacionais, totalizando 928 novas moradias, com recursos de quase R$ 160 milhões do Governo Federal. Os residenciais Guajiru, Luiz Francisco Xavier, Joaquim Machado e Herculano Pena devem ser entregues no segundo semestre de 2026, de acordo com o cronograma da Habitafor.
Paralelamente, o Residencial Luiz Gonzaga II, no bairro Jangurussu, está em execução com 536 unidades e recebeu em maio a ordem de serviço para as obras de infraestrutura do entorno, como esgoto, drenagem e pavimentação. A meta da gestão é entregar 3 mil moradias em 12 residenciais até o fim do ano. Somadas às melhorias habitacionais nas casas já existentes, a cidade caminha para um dos maiores ciclos de investimento habitacional da história recente. Fortaleza
Déficit histórico e o desafio de transformar política em realidade cotidiana
Fortaleza enfrenta um déficit habitacional que se acumula há décadas. A capital cearense é a quinta maior cidade do país em população, com mais de 2,4 milhões de habitantes, e concentra bolsões de vulnerabilidade que desafiam qualquer gestão municipal. A informalidade urbana, as áreas de risco e as moradias inadequadas ainda marcam o cotidiano de milhares de famílias, especialmente nas zonas periféricas e nas comunidades próximas a riachos e lagoas.
O decreto assinado pelo prefeito Evandro Leitão, que formaliza o Morar Bem como política habitacional permanente, é um sinal importante de que a gestão pretende institucionalizar o programa para além de um mandato. A continuidade de iniciativas habitacionais tende a ser um dos maiores desafios políticos: projetos iniciados em uma gestão frequentemente são descontinuados pela seguinte, deixando famílias à espera de obras que nunca chegam.
O acompanhamento da execução, a transparência nos critérios de seleção e a capacidade técnica da Habitafor para tocar as obras dentro do prazo serão os termômetros reais do sucesso do programa. Moradores interessados podem buscar informações nas Secretarias Regionais de Fortaleza ou acessar o portal oficial em fortaleza.ce.gov.br.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

