Pesquisa AtlasIntel de junho mostra disputa acirrada no primeiro turno e vantagem do tucano em eventual segundo turno
A corrida pelo Palácio da Abolição está oficialmente embalada. Uma pesquisa divulgada pelo instituto AtlasIntel entre os dias 9 e 14 de junho de 2026, com 1.223 entrevistados em todo o Ceará e margem de erro de 3 pontos percentuais, colocou Ciro Gomes (PSDB) e o governador Elmano de Freitas (PT) tecnicamente empatados no primeiro turno. Em um eventual segundo turno entre os dois, o ex-governador abre vantagem: 53,2% contra 44,9% do candidato petista. O dado é relevante porque sugere que, mesmo que Elmano chegue à segunda rodada em posição competitiva, a conversão de votos tende a beneficiar a oposição. Gazeta do Povo
A pesquisa é a mais recente de uma série que vem desenhando o cenário eleitoral cearense ao longo de 2026. Desde o ano passado, o Ceará ocupa um lugar peculiar no mapa político nacional: é um estado governado pelo PT, mas com uma oposição estruturada em torno de figuras históricas como Ciro Gomes, que deixou o PDT e se filiou ao PSDB para encabeçar a disputa, e o senador Eduardo Girão (Novo), que anunciou sua candidatura formalmente. A eleição está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
O campo governista e o peso do nome de Camilo Santana
O PT entrou em 2026 com Elmano de Freitas como candidato natural à reeleição, mas o debate interno ao partido nunca foi encerrado de vez. O nome do ministro da Educação, Camilo Santana, que governou o Ceará entre 2019 e 2023 e ainda goza de alta popularidade no estado, chegou a ser ventilado como alternativa. O presidente do PT no Ceará, Antônio Filho, afirmou que Elmano é o candidato do partido e que “não existe plano B”, mas a circulação desse tipo de declaração em período pré-eleitoral revela que a pressão interna existiu. O POVO
Elmano venceu a eleição de 2022 no primeiro turno, com mais de 54% dos votos válidos. Governar, porém, é diferente de disputar uma eleição quando se é oposição. O governador acumula o desgaste natural de quem administra um estado com demandas complexas em segurança pública, saúde e infraestrutura. Ao mesmo tempo, conta com a estrutura do governo estadual e com o apoio do governo federal, o que costuma pesar na disputa pelos votos do interior.
A avaliação da gestão Elmano pelos eleitores cearenses é um fator que os institutos seguem monitorando. Até o momento, os dados disponíveis indicam aprovação relevante, mas insuficiente para garantir uma vantagem confortável diante de um adversário da statura de Ciro Gomes.
Ciro, o PSDB e a construção de uma aliança oposicionista
Após quatro candidaturas à Presidência da República, Ciro Gomes volta a mirar o governo do Ceará, estado que governou entre 1991 e 1994. Em 2026, ele se filiou ao PSDB para encabeçar a oposição no Estado. A trajetória de Ciro inclui passagem pela Prefeitura de Fortaleza, pelo Ministério da Fazenda durante o governo Itamar Franco e pelo Ministério da Integração Nacional no primeiro governo Lula. Sua capilaridade no interior cearense, construída ao longo de décadas, é apontada por analistas como um dos seus maiores trunfos. O POVO
A montagem da aliança oposicionista, no entanto, não foi simples. Ciro articulou uma possível aliança com o PL no Ceará, além de conversas com o União Brasil, partido do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio. Roberto Cláudio, por sua vez, deixou claro que apoiaria Ciro e chegou a ser cotado para a vice-governadoria da chapa. Esse rearranjo de forças mostrou a disposição da oposição cearense de superar diferenças ideológicas em nome de um objetivo comum: derrotar o grupo político que governa o estado há mais de uma década. Exame
O senador Eduardo Girão, do Novo, mantém candidatura e ocupa um espaço próprio no eleitorado mais à direita. Outros seis pré-candidatos já anunciaram intenção de disputar, incluindo representantes do Psol, PSTU e Unidade Popular, o que garante pluralidade ao pleito sem, por enquanto, alterar a dinâmica central entre Elmano e Ciro.
O que as próximas semanas vão revelar
As convenções partidárias acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto, quando os candidatos serão oficialmente registrados. A partir de 16 de agosto, começa a propaganda eleitoral nas ruas e na internet, marcando o início do período mais intenso da campanha. As convenções e o registro de candidaturas definirão o cenário final de cada chapa, incluindo composições de vice-governadoria e candidatos ao Senado. O POVO
Os fortalezenses que acompanham a política estadual sabem que o Ceará tem uma tradição de eleições decididas no primeiro turno, mas os dados atuais não permitem essa leitura com conforto para nenhum dos lados. O empate técnico registrado pelo AtlasIntel indica uma disputa que pode ir até o final, com resultado imprevisível. Para o eleitor cearense, o período que se aproxima será de definições importantes que vão além de nomes: as alianças fechadas nas convenções moldarão a pauta política do estado pelos próximos quatro anos.
Acompanhe as pesquisas eleitorais registradas no TSE em tse.jus.br e as coberturas do pleito cearense em opovo.com.br e diariodonordeste.com.br.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

