O Ceará pode ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump, medida anunciada recentemente pelo presidente americano que prevê a taxação de 50% sobre produtos brasileiros. O impacto já começou a se desenhar nos portos cearenses, com a retenção de contêineres no Pecém, principal ponto de escoamento das exportações locais. Embora a taxação entre oficialmente em vigor apenas em agosto, os efeitos colaterais já provocam apreensão entre empresários, trabalhadores e autoridades públicas.
A razão para que o Ceará possa ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump está no perfil de sua balança comercial. Ao contrário de outros estados que têm na China seu principal comprador, o Ceará depende majoritariamente dos Estados Unidos. Mais da metade de todas as exportações cearenses em 2025 teve como destino o mercado norte-americano. Esse vínculo direto com a economia dos EUA torna o estado altamente vulnerável a mudanças repentinas na política comercial da Casa Branca.
Entre os principais produtos que fazem com que o Ceará possa ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump estão os itens de siderurgia, pescados, sucos, castanhas e calçados. O aço e o ferro, por si só, representam mais de 70% das exportações cearenses aos americanos. Com o aumento do custo desses itens devido à nova tarifa, os importadores dos Estados Unidos tendem a buscar fornecedores mais baratos em outros países, deixando a produção cearense à deriva.
Especialistas apontam que o Ceará pode ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump porque há uma dependência setorial concentrada. A cadeia da siderurgia, por exemplo, emprega mais de 35 mil pessoas no estado e responde por quase metade do volume financeiro exportado no primeiro semestre de 2025. A interrupção ou desaceleração das vendas externas pode resultar em demissões, cortes de jornada e cancelamento de contratos industriais.
Além da indústria pesada, o setor pesqueiro cearense também corre risco. Os peixes vermelhos, capturados na costa do estado, são vendidos quase que exclusivamente para os Estados Unidos. Caso o embargo tarifário se concretize, mais de 20 mil empregos diretos e indiretos podem ser afetados, agravando ainda mais o cenário de crise. Essa concentração de destino das exportações é mais uma razão para que o Ceará possa ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump.
A agropecuária cearense também sente os ventos contrários. Castanhas, sucos, cera de carnaúba e água de coco estão entre os produtos que correm risco de se tornarem inviáveis economicamente com a nova tarifa. O presidente da Federação da Agricultura do estado já alertou que o Ceará pode ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump porque não há outro mercado capaz de absorver rapidamente o volume que os americanos compram atualmente.
As lideranças locais, conscientes de que o Ceará pode ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump, têm se mobilizado junto ao governo federal para articular saídas diplomáticas e econômicas. Há discussões sobre linhas de crédito emergenciais, incentivos fiscais temporários e uma possível reestruturação da logística comercial. Ainda assim, a solução definitiva exigirá tempo, negociação internacional e uma urgente diversificação dos mercados compradores.
Enquanto isso, sindicatos, federações industriais e associações setoriais realizam reuniões emergenciais. Há um consenso de que o Ceará pode ser o estado mais afetado com tarifaço de Trump, não apenas pela intensidade das exportações para os EUA, mas pela falta de alternativas imediatas. A dependência histórica de um único parceiro econômico expõe as fragilidades da estrutura comercial cearense. E agora, diante de um cenário global turbulento, o estado se vê obrigado a reagir para não colapsar.
Autor: Victoria D’villa

