Programa “Nossa Casa é de Todos” realiza sessões plenárias em escolas e comunidades para aproximar o Legislativo dos moradores
Aos 37.890 habitantes do bairro Planalto Ayrton Senna, na Regional 8 de Fortaleza, foi dada uma oportunidade pouco comum: falar diretamente com os vereadores que representam a cidade. Em 28 de maio, a Câmara Municipal de Fortaleza realizou ali a 5ª edição de 2026 do programa “Nossa Casa é de Todos”, levando uma sessão plenária para o auditório da EMTI Leonel de Moura Brizola. A iniciativa, presidida pelo vereador Leo Couto (PSB), tem percorrido bairros com baixo Índice de Desenvolvimento Humano para criar um canal de diálogo entre o Poder Legislativo e a população que, muitas vezes, nunca pisou em um plenário.
O resultado mais visível desse tipo de encontro é menos burocrático e mais humano. Jovens estudantes apresentaram demandas de infraestrutura do próprio bairro — buracos em ruas, falta de equipamentos públicos e ausência de perspectivas culturais —, algo que raramente ocorre nos canais tradicionais de participação política. O programa coloca em evidência uma questão que interessa a qualquer cidadão fortalezense: como a Câmara Municipal se comunica com quem mora longe do Centro?
Um parlamento que sai do plenário e vai até os bairros
O programa busca aproximar a população do Parlamento, chegando a bairros com baixo IDH que têm recebido diversas intervenções do Executivo, como a Areninha do Planalto Ayrton Senna, praças e obras de recuperação viária. Ao integrar ação do Legislativo com o cotidiano dessas intervenções do Executivo, o programa cria uma dinâmica incomum: o vereador que aprova projetos e fiscaliza orçamentos encontra, in loco, os moradores que dependem dessas decisões. Câmara Municipal de Fortaleza
Para os estudantes presentes, a experiência foi marcante. Um aluno destacou que “nunca tinha assistido a uma sessão da Câmara” e valorizou a oportunidade de falar diretamente sobre os problemas do bairro para quem pode ajudar a resolvê-los. Esse tipo de depoimento revela o quanto a distância entre as instituições democráticas e os cidadãos ainda é grande, especialmente em periferias urbanas onde a desconfiança nas estruturas políticas é historicamente mais alta. Câmara Municipal de Fortaleza
O presidente da Câmara, Leo Couto, reconhece que a iniciativa tem potencial educativo que vai além do político. Ao incluir escolas no roteiro do programa, a CMFor toca diretamente em uma geração que está se formando como cidadã e que, em poucos anos, terá direito ao voto. Criar essa conexão cedo pode mudar a relação das comunidades periféricas com as instituições democráticas.
O “Parla, Jovem!” e a aposta na renovação política local
No mesmo evento, foi lançada a nova edição do “Parla, Jovem!”, programa que dá um passo além da participação simbólica e convida jovens fortalezenses a exercer, de forma prática, o papel de vereador. Ao todo, 24 jovens serão eleitos para representar simbolicamente a população na Câmara de Fortaleza. A proposta surgiu diretamente das interações do “Nossa Casa é de Todos” com as escolas visitadas, o que mostra uma coerência metodológica: ouvir a demanda dos jovens e transformá-la em programa. Câmara Municipal de Fortaleza
A iniciativa não é inédita no país, mas ganha relevância em Fortaleza porque coincide com um momento em que a política cearense está em pleno movimento pré-eleitoral. Com eleições em outubro de 2026 para governador, deputados estaduais, federais e senadores, o interesse dos partidos pela base jovem cresce. Programas como o “Parla, Jovem!” funcionam, nesse contexto, tanto como formação cidadã quanto como sementes para uma nova geração de lideranças locais.
A Câmara Municipal de Fortaleza tem 43 vereadores e é uma das mais movimentadas do Nordeste em volume de proposições. Em 2026, a Casa Legislativa já ultrapassou 4 mil proposições, o que indica um parlamento ativo, ainda que o desafio de traduzir esse volume em impacto real para os bairros continue sendo uma questão central. Câmara Municipal de Fortaleza
O que os moradores esperam dessas visitas
Mais do que assistir a uma sessão plenária fora do Centro, os moradores dos bairros visitados chegam com uma expectativa prática: que os problemas apresentados nos microfones se transformem em projetos de lei, emendas orçamentárias ou demandas formais ao Executivo. Essa é a linha tênue entre um evento de comunicação institucional e uma ação política com consequências reais.
No Planalto Ayrton Senna, as queixas giraram em torno de infraestrutura viária, com destaque para ruas esburacadas que se deterioram a cada período de chuvas. O bairro, como tantos outros na periferia de Fortaleza, convive com a contradição de receber obras pontuais sem que os problemas estruturais sejam resolvidos de forma integrada. A visita da Câmara pode ser um ponto de virada se os vereadores transformarem as demandas ouvidas em cobranças concretas ao Executivo Municipal.
Informações sobre o programa “Nossa Casa é de Todos” e as próximas edições podem ser acessadas pelo site oficial da Câmara Municipal de Fortaleza, em cmfor.ce.gov.br.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

