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Brasil

Cresce o número de mulheres nos ônibus de Fortaleza enquanto encoxar continua sendo a principal forma de importunação sexual

Nikolai Seravin
Nikolai Seravin 16 de junho de 2025 5 Min de leitura
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O cenário do transporte público em Fortaleza apresenta uma mudança importante: as mulheres tornaram-se maioria entre os passageiros que utilizam os ônibus da capital cearense, representando 64,4% do total, segundo dados oficiais da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza, conhecidos por meio da plataforma Nina. Este aumento na presença feminina no sistema de transporte evidencia não só uma transformação no perfil dos usuários, mas também traz à tona questões críticas ligadas à segurança e ao respeito nos trajetos diários, especialmente no que diz respeito à importunação sexual.

A pesquisa revela ainda que o tipo de importunação sexual mais denunciado pelas mulheres é o chamado encoxar, uma forma de assédio físico que ocorre com grande frequência dentro dos ônibus. Em 2025, já foram registradas cerca de 80 denúncias por meio da plataforma Nina, uma ferramenta tecnológica criada para facilitar o registro e o combate a esses casos no transporte público. A prevalência do encoxar evidencia um problema persistente, apesar das campanhas de conscientização promovidas pela prefeitura.

Ao observar o perfil das passageiras, a maioria são mulheres economicamente ativas, com 56,8% trabalhando em empresas privadas, seguidas por estudantes que representam 13,3%, e profissionais autônomas que somam 11,5%. O público feminino predominante tem idade entre 25 e 34 anos, faixa etária que corresponde a 24,2% das usuárias. Este perfil demográfico mostra que a população feminina usuária dos ônibus é jovem e ativa, ressaltando a importância de medidas eficazes para garantir a segurança delas durante o deslocamento.

Além dos casos dentro dos ônibus, a importunação sexual também ocorre nas paradas e plataformas de estações, locais que devem oferecer segurança e proteção aos passageiros. As denúncias feitas através da plataforma Nina permitem que as vítimas informem o número do veículo, local e horário do ocorrido, facilitando a ação rápida das autoridades competentes. A possibilidade de anexar fotos e vídeos às denúncias fortalece ainda mais o combate a esses atos, proporcionando provas concretas para investigações.

A insegurança enfrentada pelas mulheres no transporte público tem impacto direto em sua qualidade de vida e liberdade de locomoção. Muitas relatam medo e constrangimento ao utilizar os ônibus, o que pode limitar suas rotinas e comprometer direitos básicos. Especialistas e ativistas afirmam que o enfrentamento da importunação sexual deve começar pela educação e pela mudança cultural, com ênfase na valorização da mulher e no combate ao machismo estrutural presente na sociedade.

Denunciar situações de importunação sexual no transporte público é um passo fundamental para combater o problema. A plataforma Nina, que pode ser acessada pelo aplicativo Meu Ônibus ou pelo WhatsApp, oferece um meio simples, ágil e seguro para vítimas e testemunhas relatarem ocorrências. A participação da população é essencial para ampliar o alcance das denúncias e possibilitar a punição dos responsáveis, além de ajudar a criar ambientes mais seguros e respeitosos.

O entendimento das diferenças entre importunação sexual, assédio sexual e estupro também é fundamental para conscientizar a população sobre a gravidade desses crimes e as punições previstas em lei. Enquanto a importunação sexual envolve atos libidinosos sem consentimento, o assédio sexual está ligado à relação de poder e o estupro consiste em violência ou ameaça grave, podendo ter consequências jurídicas mais severas. Informar e educar a sociedade é parte importante da prevenção.

Em síntese, o fato de as mulheres serem maioria nos ônibus de Fortaleza e o encoxar ser a importunação mais frequente revela desafios significativos para o transporte público da cidade. A intensificação das denúncias na plataforma Nina mostra uma preocupação crescente e a necessidade urgente de ações mais efetivas por parte do poder público e da sociedade. A segurança e o respeito no transporte coletivo são essenciais para garantir o direito das mulheres à mobilidade livre de violência.

Autor: Victoria D’villa

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