O geriatra Yuri Silva Portela explica que a sarcopenia é uma das condições mais prevalentes e menos conhecidas pelo público geral no contexto do envelhecimento, caracterizada pela perda progressiva de massa, força e função muscular que acompanha o processo de envelhecimento e que tem consequências diretas sobre a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida do idoso. A sarcopenia é um dos principais determinantes da fragilidade nos idosos atendidos pelo projeto no sertão cearense, onde condições de vida mais adversas tendem a acelerar sua progressão. Reconhecer e tratar essa condição precocemente é uma das formas mais eficazes de preservar a independência do idoso ao longo dos anos.
Leia este conteúdo até o final e compartilhe com quem cuida de um idoso: essa informação pode fazer toda a diferença na preservação de sua autonomia.
Por que a sarcopenia acontece?
O músculo esquelético passa por um processo natural de redução a partir dos 30 anos, mas essa perda se acelera significativamente após os 60, chegando a comprometer de forma clínica a força e a funcionalidade do idoso quando não há intervenção adequada. A sarcopenia resulta da combinação de múltiplos fatores: redução dos hormônios anabólicos, como testosterona e hormônio do crescimento; inflamação crônica de baixo grau associada ao envelhecimento; inatividade física progressiva; ingestão insuficiente de proteínas; e doenças crônicas que aceleram o catabolismo muscular.
A perda muscular não afeta apenas a força: compromete o equilíbrio, a marcha, a capacidade de realizar atividades cotidianas como levantar de uma cadeira, subir escadas ou carregar objetos, e aumenta significativamente o risco de quedas e fraturas. Conforme aponta o Doutor Yuri Silva Portela, a sarcopenia é um preditor independente de hospitalização, institucionalização e mortalidade na população idosa, o que reforça a importância de sua identificação e tratamento como parte do cuidado geriátrico rotineiro.
Como a sarcopenia é identificada na prática clínica?
O diagnóstico de sarcopenia combina a avaliação da massa muscular, da força de preensão palmar e do desempenho físico em testes padronizados, como o teste de velocidade de marcha ou o teste de levantar da cadeira. Nenhum desses parâmetros isoladamente é suficiente para o diagnóstico: é a combinação dos resultados que permite classificar a condição como provável, confirmada ou grave. O Doutor Yuri Silva Portela utiliza esses critérios em sua prática para identificar pacientes em risco e iniciar intervenções antes que a perda funcional se torne irreversível.

A avaliação da composição corporal por métodos como a bioimpedância ou a densitometria óssea permite quantificar a massa muscular de forma mais precisa, mas nem sempre está disponível em todos os contextos de atendimento. Nas ações do Humaniza Sertão, onde os recursos são limitados, a avaliação clínica funcional assume papel central, com testes simples e validados que podem ser realizados em qualquer ambiente e que oferecem informações valiosas sobre o estado muscular do idoso.
Quais são as estratégias de prevenção e tratamento?
O exercício físico resistido, popularmente conhecido como musculação, é a intervenção com maior evidência científica para prevenção e tratamento da sarcopenia. Programas estruturados de treinamento de força, realizados com frequência regular e progressão adequada de carga, produzem ganhos mensuráveis de massa e força muscular, mesmo em idosos muito avançados em idade. A atividade física não precisa ser intensa para ser eficaz: a regularidade e a progressão gradual são mais importantes do que a intensidade absoluta dos exercícios.
A nutrição é o segundo pilar do tratamento. A ingestão adequada de proteínas, distribuída ao longo das refeições do dia, é fundamental para estimular a síntese muscular e frear a degradação. Em muitos idosos, especialmente os que vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica, a ingestão proteica está significativamente abaixo do recomendado, o que acelera a progressão da sarcopenia. O Doutor Yuri Silva Portela e a equipe do Humaniza Sertão orientam famílias sobre estratégias alimentares acessíveis que contribuem para reverter esse déficit e proteger a musculatura do idoso a longo prazo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

