A redução de alimentos ultraprocessados deve ser feita de maneira gradativa. Essa é a abordagem de Lucas Peralles, nutricionista esportivo e criador do Método LP, um dos temas centrais para aqueles que desejam ter uma alimentação mais saudável. Essa preocupação é justificada, pois o consumo regular desses produtos tem sido relacionado ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
No entanto, o termo ainda é confuso para muitos. Muitas pessoas acreditam que todos os alimentos industrializados são ultraprocessados, enquanto outras não percebem que produtos vendidos como saudáveis, como algumas barrinhas, iogurtes adoçados e pães “integrais”, se encaixam nessa categoria devido à sua composição.
Reconhecer esses produtos auxilia na tomada de decisões mais conscientes, evitando posições extremas e uma percepção irracional de perigo. Neste guia, entenda como funciona a classificação dos alimentos, aprenda a identificar ultraprocessados pelo rótulo e veja como diminuir o consumo de forma gradual e sustentável.
O que define um alimento ultraprocessado?
No Brasil, a classificação mais utilizada divide os alimentos de acordo com o grau de processamento. Os produtos in natura e minimamente processados incluem frutas, legumes, arroz, feijão, carnes e ovos. Os processados recebem sal, açúcar ou óleo, e os ultraprocessados, em sua maioria, são formulações industriais feitas de substâncias extraídas de alimentos ou sintetizadas em laboratório.
Esse grupo reúne refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, embutidos, macarrão instantâneo e refeições prontas congeladas. O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, recomenda que a base da alimentação seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados e que os ultraprocessados sejam evitados.
No Método LP, o especialista em comportamento alimentar Lucas Peralles evidencia que a questão envolve padrão de consumo, e não um alimento isolado. Um biscoito de vez em quando não define a qualidade da dieta, mas uma rotina com refeições que dependem de produtos prontos tende a comprometer a saciedade, a ingestão de fibras e o controle de peso.
Sinais de ultraprocessamento no rótulo
A embalagem oferece informações relevantes para auxiliar os consumidores a fazerem escolhas mais conscientes no supermercado. Alguns pontos ajudam a reconhecer um ultraprocessado em poucos segundos:
- Lista de ingredientes longa: produtos com muitos componentes, especialmente quando a maioria não seria usada em uma cozinha doméstica, costumam pertencer a esse grupo;
- Ingredientes de uso industrial: nomes como xarope de glicose, maltodextrina, gordura vegetal hidrogenada, proteína isolada, aromatizantes, emulsificantes e realçadores de sabor são sinais típicos de formulação ultraprocessada;
- Ordem dos ingredientes: a lista aparece em ordem decrescente de quantidade, então açúcar, farinha refinada ou óleo nas primeiras posições indicam que eles predominam no produto;
- Rotulagem frontal com lupa: o selo que alerta para alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio ajuda a identificar produtos que merecem consumo mais esporádico.

Para Lucas Peralles, fundador do Método LP, esse tipo de leitura deve ser ensinado ao paciente como uma habilidade prática, e não como uma lista de proibições. O objetivo é que o indivíduo adquira autonomia para decidir no supermercado sem depender de cardápios pré-estabelecidos ou de orientações sobre o que pode e o que não pode comprar.
Como reduzir o consumo sem transformar a alimentação em restrição?
A troca gradual tende a ser mais eficaz do que a eliminação total. A substituição prioritária dos alimentos ultraprocessados, como o pão do café da manhã e o lanche da tarde, gera um impacto mais significativo do que a eliminação de um produto consumido esporadicamente.
O planejamento reduz a dependência de produtos prontos. Ter frutas, iogurte natural, ovos, castanhas e preparações simples em casa diminui a chance de se recorrer ao pacote de biscoito nos momentos de pressa. No Método LP, Lucas Peralles trabalha essas mudanças passo a passo, para que se tornem parte da rotina real e não dependam de força de vontade constante.
Outro ponto importante a ser observado é a armadilha das versões “fit”. Muitos produtos com apelo saudável ainda são ultraprocessados, contendo menos açúcar ou mais proteína. A leitura atenta do rótulo e o foco em alimentos de verdade evitam que o consumidor troque um ultraprocessado por outro, mais caro e com a mesma lógica de formulação.
Comer melhor depende de consistência, não de perfeição
Os ultraprocessados requerem atenção, contudo, a resposta para a questão passa por equilíbrio e repetição, e não por medo. Para Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva em São Paulo, a melhora da alimentação acontece quando a base da rotina muda e as exceções deixam de ser a regra.
A Clínica Peralles fornece orientações personalizadas, considerando as rotinas, o histórico e os objetivos de cada paciente, com o intuito de promover adaptações ao longo das fases do processo. A proposta consiste em elaborar escolhas que sejam coerentes com a vida real, abrangendo trabalho, eventos sociais e semanas mais intensas.
Aqueles que se dedicam à leitura e compreensão de rótulos, bem como à elaboração de refeições simples, desenvolvem uma competência que lhes será útil ao longo de toda a vida. É justamente essa autonomia que o nutricionista esportivo Lucas Peralles coloca no centro de seu método: saber escolher melhor sem a necessidade de regras rígidas ou de supervisão constante.

